Tomás Munzer –  precursor do Socialismo Celestial

Por ocasião da Reforma o papel de Lutero ficou bem delineado: o Catolicismo Romano, enquanto instância religiosa, tinha se afastado do cristianismo e era preciso um retorno às suas fontes primeiras. As indulgências, que, ainda por cima, ao final já estavam sendo vendidas, deixavam claro o completo afastamento do cristianismo. E Lutero abriu uma luta de frente contra o Papado e o Bispado. Queria que a Teocracia de Deus dominasse, trazendo um retorno do cristianismo primitivo dos dias de Paulo, segundo o que Paulo transmitiu.

Mas Lutero limitou a Teocracia de Deus. Circunscreveu-a ao plano religioso e espiritual. Não teve crítica, não teve luta, e não a estendeu ao domínio que então faziam reis e príncipes.

E isso gerou uma profunda divisão no movimento da Reforma. Um discípulo de Lutero, Tomás Munzer, se insurgiu contra a Teocracia de Lutero a acusando de parcial. Na visão de Tomás Munzer a Teocracia de Deus teria de ocupar tanto o lugar do Papado e do Bispado como também o lugar dos reis e dos príncipes. Deus tinha que dominar não só no plano religioso, espiritual, mas também no plano material, político. Em uma palavra, profundo conhecedor das promessas escatológicas, Tomáz Munzer quis antecipá-la para os seus dias. Ou, mais acertadamente, diante das proporções que tomavam o movimento da Reforma ele mais que entendeu que na verdade estavam diante do acontecimento escatológico. E como a escatologia trás o domínio absoluto de Deus sobre a terra, e Lutero limitou seu domínio, houve um rompimento entre os dois. (Tomás Munzer quis naqueles dias implantar o comunismo. Passando para o domínio dos camponeses as terras que estavam nas mãos de reis e de príncipes, e de outros nobres, e assim acabando com a exploração de uns sobre outros, a verdade é que Tomás Munzer quis instaurar no país o reino da igualdade, conforme entendia estava nas Escrituras e conforme entendia era a mensagem central de Jesus).

Tendo tomado rumos distintos, Lutero foi se apoiar nos reis e príncipes, Tomás Munzer por sua vez foi levantar os camponeses anabatistas para que fizessem valer o domínio absoluto de Deus. E a verdade é que o rei e príncipes alemães, recebendo não só apoio dos recém protestantes mas até mesmo do clero católico, na união de forças acabaram massacrando Tomás Munzer e os camponeses anabatistas.

Mas, a derrota de Tomás Munzer e dos anabatistas não foi em vão. Aqueleera o tempo para o domínio espiritual de Deus e não tempo para seu domínio material. O seu domínio material seria futuro. E depois do domínio teocrático de Deus ter passado pelo material com o Marxismo, em completo antagonismo com o movimento da Reforma, como este esteve em completo antagonismo com o Comunismo de Tomás Munzer, tem chegado o tempo do domínio de Deus se manifestar absoluto, total, tanto espiritual como também material. Tanto no plano religioso como também no plano político. Estamos de fato diante da escatologia. E este é o tempo do Socialismo Celestial.

Esses vendedores de indulgências, que exploram a fé do povo, barganhando a Palavra de Deus, que se cuidem! Também se cuidem estes que combateram o socialismo em nome de Deus! Os celestiais estão chegando… Aqueles que na Palavra de Deus são chamados de “reis do nascente do sol” , a reviverem a aliança de medos e persas sob Ciro, e agora conquistar essa Babilônia que tem levado a morte e a destruição a países do Oriente Médio e norte da África. No domínio Teocrático-Absoluto de Deus essa Babilônia passará. E a humanidade inteira voltará para o Paraíso de Deus, a reconstruir o Paraíso de Deus.